{"id":1249,"date":"2016-01-29T21:45:40","date_gmt":"2016-01-29T21:45:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tgreguol.com.br\/blog\/?page_id=1249"},"modified":"2016-02-15T21:21:01","modified_gmt":"2016-02-15T21:21:01","slug":"timidez","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.tgreguol.com.br\/blog\/timidez\/","title":{"rendered":"Timidez"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Junho, m\u00eas dos namorados. O sol brilhava solit\u00e1rio no c\u00e9u azul das \u00e9pocas mais frias. O dia era o d\u00e9cimo primeiro. O local era um ponto de \u00f4nibus numa das travessas ali perto da Consola\u00e7\u00e3o. Esses lugares que se faz at\u00e9 esquecer o qu\u00e3o horr\u00edvel \u00e9 a cidade. No ponto de \u00f4nibus encontram-se Kelly e Astolfo. Ela fala ao celular, ele olha para o rel\u00f3gio.<br \/>\n&#8211; &#8230; Diz que \u00e9 a Kelly!<br \/>\nO rapaz, que at\u00e9 agora n\u00e3o a tinha notado, fica indisfar\u00e7avelmente boquiaberto. Era a vis\u00e3o mais bela que jamais tivera em todos os seus anos de vida. Mas&#8230; S\u00e3o demais os preconceitos nesta vida e o nome Kelly lhe pareceu pouco inteligente, loira demais, muito materialista e, por ser um nome, informa\u00e7\u00e3o herdada, concluiu que n\u00e3o s\u00f3 ela era pouco esperta como toda a sua linhagem tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, para si mesmo admitiu: \u201czebra\u201d.<br \/>\nA garota, por sua vez, terminando o di\u00e1logo ao celular, dispara de forma casual:<br \/>\n&#8211; Sim, sim, eu posso apresentar aquele mestrado um m\u00eas antes sim! Afinal, j\u00e1 o terminei faz uma semana! \u00c9, \u00e9, ci\u00eancia pataf\u00edsica \u00e9 meu assunto favorito, amigaaa&#8230;<br \/>\nAstolfo sente c\u00e3ibra no pesco\u00e7o. \u00c9 um sinal \u00f3bvio de paix\u00e3o, observado por ele mesmo desde os tempos de prim\u00e1rio. Tentou mexer a cabe\u00e7a. Nada. Era paix\u00e3o mesmo. A dor n\u00e3o o agradava e assim tentou mais algumas vezes se mexer, o que chamou a aten\u00e7\u00e3o da linda garota.<br \/>\nKelly era jovem, linda, inteligente e, ainda por cima, usava meias quando dormia sozinha. O que infelizmente vinha acontecendo h\u00e1 algum tempo j\u00e1. E foi pensando nisso que ela notou o rapaz em seu ritual de relaxamento do pesco\u00e7o. Se pud\u00e9ssemos ouvir seus pensamentos, seriam \u201cQue gracinha de rapaz! Que ar culto ele tem! Vou perguntar as horas\u201d. Mas&#8230; S\u00e3o demais os preconceitos nesta vida e os \u00f3culos de tartaruga e a meia levantada lhe pareceram muito pouco apropriados. Ent\u00e3o, conclui para si mesma: \u201cnerd\u201d.<br \/>\nMas Astolfo, apesar de assistir \u00e0 novela da tarde, n\u00e3o era de todo alienado e notou que a musa de sua vida movera-se um mil\u00edmetro em sua dire\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que ela estaria indo em sua dire\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1? N\u00e3o! O que uma beleza dessas iria querer com ele?<br \/>\nBom, a estonteante jovem tamb\u00e9m tinha suas d\u00favidas e, apesar de ter pensado seriamente em ir l\u00e1 falar com o menino com mau gosto para se vestir, resolveu n\u00e3o ir por achar que ele pensaria que ela era muito atirada e talvez at\u00e9, baseado na sua teoria desenvolvida na \u00e9poca do colegial &#8211; \u00e9poca tamb\u00e9m que ela usava aparelho, \u00f3culos e camisetas do Metallica -, toda menina atirada era tamb\u00e9m&#8230; burra!<br \/>\n\u00c9, meu caro Astolfo, quantas d\u00favidas cru\u00e9is um c\u00e9rebro bem instru\u00eddo pode nos trazer, n\u00e3o \u00e9? Tanto estudo, tanto interesse pela psique humana para no final conseguir lembrar apenas do maior de todos os chav\u00f5es: \u201cO cachorrinho tem telefone?\u201d Pois \u00e9. Mas a l\u00f3gica acima de tudo, e ela n\u00e3o tinha um cachorro. Pelo menos n\u00e3o ali.<br \/>\nOs anos com a psic\u00f3loga adiantaram muito e fizeram a menina bobinha se transformar na joia que agora observamos no ponto do \u00f4nibus a pensar se aquele homem de pesco\u00e7o duro teria realmente se virado para ela. Mas foram os conselhos das amigas de oitava s\u00e9rie que fumavam escondido que preponderaram quando ela, num ato de desespero, tirou seu casaquinho de croch\u00ea e arrumou o cabelo de forma muito &#8211; e repito &#8211; muito atraente, enquanto pensava \u201cVou l\u00e1 e digo: Tudo bem? Que horas s\u00e3o?\u201d.<br \/>\nO torcicolo de Astolfo constitu\u00eda um pesco\u00e7o duro. Ao ver a atitude de Kelly&#8230; Imaginem o qu\u00ea! Nada poderia parar aquele homem. \u00c9 isso, ele tinha que ir l\u00e1! \u201cViro e pergunto: sabe a que horas passa o \u00f4nibus!\u201d<br \/>\nE foi nesse momento, naquela v\u00e9spera de dia dos namorados, num bairro bonitinho, num dia de c\u00e9u azul, que Astolfo e Kelly se conheceram. Ambos se desejavam. E se fossem conhecidos, saberiam que n\u00e3o era s\u00f3 fisicamente. O di\u00e1logo foi como segue:<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea sabe&#8230; \u2013 soltou ele.<br \/>\n&#8211; Tudo bem&#8230; \u2013 gaguejou ela.<br \/>\n&#8211; &#8230; a que horas&#8230; \u2013 o pesco\u00e7o duro.<br \/>\n&#8211; Que horas s\u00e3o&#8230; \u2013 a boca seca.<br \/>\n\u00c9. E foi tudo. Pelo menos por hora.<br \/>\nAh, s\u00e3o tantos os medos! S\u00e3o tantos os preconceitos. S\u00e3o tantas as desculpas esfarrapadas. Ele poderia jurar que era o maior dentre todos os ot\u00e1rios do mundo, se n\u00e3o tivesse lhe ocorrido antes que ela devia se achar muito boa pra ele &#8211; um cara num ponto de \u00f4nibus! Ainda mais com aqueles \u00f3culos de reserva que estava usando&#8230; Tamb\u00e9m, quem mandou perder o Boss? A culpa era dos \u00f3culos, e ele os tirou furiosamente do rosto.<br \/>\nE ela? Ela ficou com vergonha de saber que havia feito tantas aulas de dic\u00e7\u00e3o para nada&#8230; Isso l\u00e1 \u00e9 verdade. Mas palavras como beldroegas e cretino, t\u00e3o carinhosamente aprendidas do dicion\u00e1rio, foram substitu\u00eddas por outras que n\u00e3o s\u00e3o de bom tom reproduzir aqui. Mas no geral foi mais ou menos isso: \u201cBobo! \u00c9 mesmo um nerd! Tira os \u00f3culos como se fosse \u201co\u201d sabe tudo! Tolo, aposto que nem sabe o que \u00e9 pataf\u00edsica!\u201d<br \/>\nNem todos os livros de filosofia poderiam responder onde estava o \u00f4nibus que ele esperava e por que a lei de Murphy se aplicava com tanta const\u00e2ncia em sua vida. E foi isso mesmo. As palavras que eram para ele escapuliram&#8230;<br \/>\n&#8211; \u00cata lei de Murphy!<br \/>\n&#8211; Qu\u00ea? \u2013 pergunta ela, recolocando a blusinha delicada de croch\u00ea.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o! N\u00e3o, nada!<br \/>\nEnquanto se abotoava ela pensou no que foi que ele tinha dito. Lady o qu\u00ea? Smurf? E se ele fosse um daqueles nerds tarados por personagens de desenho animado? O visual conferia. Foi inevit\u00e1vel olh\u00e1-lo de forma desconfiada.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 era hecat\u00f4mbica e ele n\u00e3o suportava mais o pesco\u00e7o, e aquela garota estranha que ficava olhando pra ele assim! E se ela for&#8230; Ah, n\u00e3o! Ele l\u00e1, todo-todo para uma poss\u00edvel&#8230; Vulg\u00edvaga!<br \/>\nEra demais para os dois, eles tinham que ir embora. Dane-se o \u00f4nibus, andar faz bem. Os dois saem um na dire\u00e7\u00e3o do outro, fazendo com que se trombem.<br \/>\n&#8211; Desculpe! \u2013 ela segurando a bolsa contra o peito.<br \/>\n&#8211; Desculpe eu! \u2013 m\u00e3os para tr\u00e1s.<br \/>\nUm pouco mais distantes foi inevit\u00e1vel:<br \/>\n&#8211; Tarado!<br \/>\n&#8211; Vagabunda!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junho, m\u00eas dos namorados. 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