Interrogatório

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– Antes de vir para a instituição, ele era um campeão de alguma coisa. Desculpe-me pela ignorância, mas nunca estive por dentro do mundo olímpico. Aos vinte e cinco anos, no auge da fama, abandonou as competições e veio lecionar no curso, e era apenas isso que sabíamos dele. Bem, pelo menos foi o que me disseram quando entrei aqui há dois anos. Provavelmente não era a única pessoa que o achava estranho, apesar de ser simpático e me parecer honesto, trabalhador. Os alunos gostavam muito dele. Tinha cara de quem preferia guardar as coisas para si mesmo. Agora, sinceramente não sei o que pensar!
Terminado o interrogatório, a pessoa levanta-se, caminha aliviada para fora da sala de depoimento e, com passos decididos, vai até seu carro. Dirige até um pequeno apartamento no centro. Chegando ao andar desejado, é atendida por uma senhora de idade que pergunta com ansiedade, beirando o pânico:
– Fez? Você fez a sua parte?
A pessoa há pouco interrogada saca uma arma com silenciador, descarrega na senhora e responde limpando o queixo: “Fiz, agora tente fazer a sua…”.

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